TAXA DE DESEMPREGO FICA EM 13,6%

31/05/2017 22:31:36 - AE NEWS

ESTADÃO: TAXA DE DESEMPREGO FICA EM 13,6%
 

Rio, 31/05/2017 - A taxa de desemprego no País alcançou 13,6% no trimestre encerrado em abril, o pior desempenho para essa época do ano dentro da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda assim, o resultado indica uma estabilização da taxa em relação ao período anterior.

Houve corte de vagas, aumento na fila de desempregados, eliminação de postos formais de trabalho. Mas o resultado foi um pouco melhor do que a média das expectativas de analistas do mercado financeiro, que previam uma taxa de desocupação de 13,9%, segundo o serviço Projeções Broadcast.

Em abril, a população desocupada teve ligeiro recuo em relação a março: 14,048 milhões ante 14,176 milhões. A população ocupada cresceu de 88,947 milhões para 89,238 milhões. A taxa de desemprego saiu de 13,7% para 13,6%, a primeira redução desde outubro de 2014. No entanto, dois terços das informações levadas em consideração são repetidas, o que impede que os dados sejam comparáveis, alertou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“O mercado de trabalho está demitindo menos. A procura por trabalho continua crescendo, mas em intensidade menor. O mercado reage de alguma forma a efeitos externos, tanto macroeconômicos quanto políticos. Só que a pesquisa reflete abril. Você tem um mês de maio com crise política, com efeitos que podem afetar o cenário econômico e podem afetar o mercado de trabalho”, ressaltou Azeredo, referindo-se à turbulência desencadeada pela divulgação em 17 de maio da delação do empresário Joesley Batista, um dos sócios da JBS.

O ligeiro arrefecimento na taxa de desemprego pode ser pontual, já que não reflete a deterioração recente na política, concorda o economista-chefe da Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus Netto. “Não se sabe o que irá acontecer em relação ao governo do presidente Michel Temer. Esse terremoto paralisou o País”, disse.

O economista-chefe da Lopes Filho ressalta que o nível de confiança pode voltar a piorar e atingir a estimativa de retomada do mercado de trabalho. “Claro que a crise tende a afetar a decisão das empresas e dos consumidores em gastar. Há uma capacidade ociosa muito elevada”, afirma Netto, acrescentando que novas contratações podem ficar comprometidas.

Em apenas um trimestre, o País ganhou mais 1,127 milhão de desempregados, enquanto viu fechar 615 mil postos de trabalho. Também houve extinção de 572 mil vagas com carteira assinada. “Em três anos, o Brasil perdeu 3,5 milhões de empregos, sendo 96% deles com carteira assinada”, lembrou Azeredo.

Houve reação da indústria no período, com 204 mil empregos gerados, mas o IBGE acredita que possa ser um movimento pontual, que precisa ser acompanhado com cautela.
 

Fonte: Agência Estado

 




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