Focus: Mercado eleva projeção da Selic para 13,75% e reforça cenário de juros altos em 2026

Relatório Focus mostra inflação persistente acima da meta, crescimento econômico moderado e expectativa de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.

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Focus: Mercado eleva projeção da Selic para 13,75% e reforça cenário de juros altos em 2026
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O mercado financeiro voltou a revisar para cima suas expectativas para a taxa básica de juros. De acordo com o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (16), a projeção para a Selic ao final de 2026 subiu de 13,50% para 13,75% ao ano. Ao mesmo tempo, a expectativa para a inflação medida pelo IPCA avançou para 5,30%, permanecendo acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.

As projeções refletem um ambiente econômico ainda marcado por desafios relevantes para o controle inflacionário, especialmente diante da resiliência do mercado de trabalho, do crescimento do crédito e das incertezas fiscais que continuam influenciando a formação das expectativas.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento foi mantida próxima de 1,91%, indicando uma economia que continua avançando, porém em ritmo moderado. Já a projeção para o dólar encerrou a semana praticamente estável, em R$ 5,15 ao final de 2026.

Análise do Economista-Chefe

A nova rodada de revisões do Focus sinaliza que o mercado começa a consolidar um cenário de juros elevados por um período mais prolongado do que se imaginava há alguns meses.

Mais do que a elevação pontual da projeção da Selic, o dado relevante é a deterioração das expectativas inflacionárias em um ambiente de atividade econômica que segue demonstrando capacidade de resistência. Em outras palavras, a desaceleração esperada da economia não está ocorrendo na velocidade necessária para garantir a convergência da inflação para a meta.

Esse movimento cria um dilema para a política monetária. De um lado, a manutenção de juros elevados contribui para conter a demanda agregada e ancorar expectativas. De outro, prolonga o custo financeiro para empresas, famílias e para o próprio setor público, elevando o peso dos encargos da dívida.

Outro aspecto que merece atenção é o comportamento das expectativas de longo prazo. Quando o mercado passa a revisar sistematicamente a inflação para cima, o Banco Central tende a adotar uma postura mais conservadora para preservar sua credibilidade e evitar a desancoragem das projeções futuras.

Além disso, o cenário internacional continua adicionando volatilidade. A perspectiva de juros elevados nas economias desenvolvidas, as tensões geopolíticas e os movimentos de proteção comercial observados em diversas regiões do mundo podem continuar pressionando custos e dificultando o processo de desinflação global.

Relatório Focus | Projeções 2026

Juros altos seguem como resposta à inflação resistente

O mercado elevou a projeção da Selic para 13,75% ao ano, enquanto a inflação esperada avançou para 5,30%, mantendo-se acima da meta.

IPCA 2026 5,30% Inflação projetada
Selic 2026 13,75% Juros no fim do ano
IPCA projetado 5,30%
Selic projetada 13,75%
Leitura do economista-chefe

A combinação de inflação acima da meta e juros terminais mais altos indica que o Banco Central deve manter postura cautelosa, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos da Selic.

Fonte: Banco Central do Brasil — Relatório Focus.

O que esperar dos próximos meses

A leitura do Focus sugere que o mercado não trabalha mais com um ciclo rápido de flexibilização monetária. Pelo contrário, a expectativa predominante é de que o Banco Central mantenha uma postura cautelosa até que haja sinais mais consistentes de convergência inflacionária.

Para investidores, o ambiente continua favorecendo ativos de renda fixa indexados à inflação e títulos pós-fixados. Para as empresas, o desafio permanece sendo administrar custos financeiros elevados e um ambiente de crédito mais seletivo.

Enquanto isso, a trajetória das contas públicas continuará sendo um dos principais fatores observados pelos agentes econômicos. Qualquer sinalização que fortaleça a percepção de sustentabilidade fiscal poderá contribuir para a redução dos prêmios de risco e, consequentemente, abrir espaço para um processo mais consistente de queda dos juros no futuro.

Conclusão

O Relatório Focus desta semana reforça uma mensagem clara: o processo de desinflação da economia brasileira continua mais lento do que o desejado. A elevação da projeção da Selic para 13,75% e a manutenção das expectativas de inflação acima da meta indicam que o ciclo de juros altos ainda está longe de ser encerrado.

A combinação de inflação resistente, atividade econômica moderada e desafios fiscais mantém o Banco Central em posição de cautela, sinalizando que a estabilidade de preços seguirá sendo a principal prioridade da política monetária nos próximos trimestres.


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