Ibovespa supera 187 mil pontos impulsionado por Petrobras e Vale
O Ibovespa fechou acima dos 187 mil pontos pela primeira vez em 2025, impulsionado pela forte valorização de Petrobras e Vale, que responderam juntas por mais de dois terços da alta do índice. Investidores estrangeiros intensificaram as compras no pregão.
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, fechou o pregão desta quinta-feira em alta de 1,87%, aos 187.420 pontos — novo recorde de fechamento em 2025. A sessão foi marcada pelo desempenho robusto das ações de Petrobras e Vale, que juntas responderam por aproximadamente dois terços dos ganhos do índice.
Petrobras e Vale: os motores do dia
As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 2,4% e as preferenciais (PETR4) avançaram 2,7%, em resposta ao petróleo Brent negociado acima de US$ 85/barril, maior nível em três semanas. Analistas do setor também destacaram a divulgação de dados positivos de produção no Pré-Sal, com novos poços do campo de Búzios apresentando produtividade acima da média.
Já as ações da Vale (VALE3) encerraram o pregão com alta de 3,1%, impulsionadas pela recuperação do preço do minério de ferro em Singapura, que retornou à faixa de US$ 112/tonelada. O mercado também reagiu bem à notícia de aumento da produção de pellets da companhia, insumo com maior valor agregado e que tem se beneficiado da demanda siderúrgica europeia por aço de menor pegada de carbono.
Breakdown setorial
- Setor de energia (+2,3%): Além de Petrobras, Eneva e Cosan também contribuíram positivamente;
- Setor financeiro (+1,1%): Itaú Unibanco e Bradesco lideraram os ganhos entre os bancos, beneficiados pela perspectiva de manutenção do spread bancário elevado com a Selic em 14,5%;
- Setor de consumo (+0,6%): Lojas Renner e Magazine Luiza mostraram recuperação, mas seguem abaixo das máximas do ano;
- Tecnologia (-0,3%): Ações do setor sofreram realização de lucros após a forte alta acumulada nas sessões anteriores.
Fluxo estrangeiro e contexto macro
O fluxo de investidores estrangeiros foi positivo na sessão, com compras líquidas estimadas em R$ 820 milhões no mercado à vista. O fortalecimento do real frente ao dólar tornou os ativos brasileiros mais atrativos para fundos internacionais com benchmark em dólares. Adicionalmente, a manutenção da Selic em patamar elevado sinaliza disciplina monetária, fator positivo para a percepção de risco do Brasil no exterior.
"O Ibovespa em 187 mil pontos reflete, em parte, a concentração do índice em empresas exportadoras e de commodities. O desempenho não necessariamente representa uma visão otimista sobre a economia doméstica, mas sim sobre os preços internacionais de petróleo e minério." — Ana Paula Ramos, B3/OEB
Níveis técnicos a acompanhar
Do ponto de vista técnico, os analistas gráficos apontam que a superação dos 187 mil pontos é relevante, representando a quebra de uma resistência relevante identificada no início de 2025. O próximo alvo técnico fica na região de 190–192 mil pontos, enquanto o suporte imediato migra para a faixa de 183–185 mil pontos.
Investidores devem atentar para o volume financeiro das próximas sessões — um rompimento sustentado exige confirmação via volume acima da média dos últimos 20 pregões. A temporada de resultados do primeiro trimestre, que se inicia nas próximas semanas, será determinante para a manutenção ou reversão do nível conquistado.
Ana Paula Ramos
Economista de Mercado, B3
Economista formada pela FEA-USP com MBA em Finanças pelo Insper. Analista de mercado na B3, especializada em renda variável brasileira, microestrutura de mercado e análise de derivativos. Contribui com análises aprofundadas sobre o mercado de capitais brasileiro, fundos imobiliários e estratégias de alocação de portfólio.